domingo, 26 de maio de 2013

(Re)Começar.

Primeiramente, inicio este texto constatando que eu não considero isso um blog, mas sim como um espaço que eu utilizo para colocar pra fora minhas angústias, frustrações, alegrias... Enfim...
Não me importo se muitas pessoas leem ou nenhuma, tanto faz pra mim... O importante é colocar pra fora o que estou sentindo agora.

Hoje eu passei por MAIS UMA decepção no que diz respeito a minha pessoa. Fiz MAIS uma prova e NADA. Cansei de falar: "faz parte!" ou "na próxima eu passo".
No início eu até me satisfazia e completava essas frases de consolo próprio, até porque qualquer resultado para mim era lucro... Mas agora?? Não!!! Agora eu assumo: eu errei por minha culpa, eu fui desatenta em algo que não podia, blá blá blá...
Hoje aconteceu isso. Eu errei. Eu me desliguei do tempo. Eu me decepcionei (de novo).
CANSEI DISSO! Cansei de estudar, estudar, estudar e não ter nenhum resultado por, simplesmente, eu não ter feito o certo.
Sabe quando a gente sabe que esta no caminho certo, fazendo tudo certo e de repente: PÃ! Errou... Ou seja, é como se eu não tivesse feito NADA certo. É como se eu não tivesse me esforçado pra aquilo acontecer. Aí vem raiva junto com tristeza junto com decepção e depois vem a vontade de estudar mais.

Eu gosto de escrever o que sinto. O que penso quando estou angustiada. 
E hoje, estou fazendo isso como uma forma de constar que eu não vou mais me decepcionar. Que eu vou fazer o certo. Que eu não vou mais ser desligada. Que eu...

Falar isso pra si, sentindo da forma que eu estou sentindo, é até um alívio, um incentivo pra continuar.

Eu não vou desistir. Apesar dos pesares... Eu não vou me render. Vou continuar tentando e tentando. Estudando e estudando. Até conseguir...

Hoje foi o ápice. A gota d'água. Chega!

Pedras no caminho?? Não me preocupo mais. Passei a guardar todas, pois um dia vou construir meu lindo castelo...

Não é ilusão. É realidade. Passei a encará-la com verdade e força pra continuar. Se eu não tiver forças, quem vai ter por mim?? Ninguém!!

Eu já sei a minha atual situação e não estou nem um pouco satisfeita com ela. Por isso, pé na tábua...
Continua. A guerra não acabou. E ta muito longe de acabar.

Meu foco atual: estudar, estudar, estudar, estudar, estudar, etc...
Eu PRECISO. Eu QUERO. Eu vou conseguir... Tenho que acreditar em mim, confiar mais em mim... Porque assim, de fato, vou conseguir. Falta mais segurança. Falta mais planejamento. Falta mais FÉ.

Agora eu vou estudar pra próximo e vida que segue... Vou TENTAR com todas as forças que tenho não errar mais. Não perder mais.

domingo, 18 de novembro de 2012

Um bocado de palavras.


Eu me pergunto se eu deveria ter algum senso e tentar me proteger do que quer que seja essa avalanche de sentimentos, mas... eu não quero. Eu quero sentir, eu quero cair, eu quero os furacões. Eu quero amar (você).




Mas quem é que consegue permanecer inteligente quando ama? E eu te amo. Ah, eu te amo (e sempre amarei).





Acho que a gente se prepara a vida toda pra viver uma espécie de felicidade sublime, e o medo de ser traído, insuficiente, abandonado, fazer besteira (e ficar somente nas palavras por conta do medo), é que boicota e estraga tudo isso...

Mas eu cansei dos jogos. Cansei do medo. Cansei das palavras. E cansei das desculpas.

Desculpas são e continuam sendo apenas desculpas. A gente pode ler as palavras de uma pessoa, mas sinceramente acredito que a gente deva ler mesmo as atitudes. Importam as ações das pessoas muito mais que seus verbos.

Estou sofrendo. E o pior de tudo é que eu compreendo isso. Mas, junto com a vontade de chorar e sofrer profundamente (eu sou dramática, eu sei), também tenho vontade de me dar um tapa e dizer... "Dignidade, mulher!"
Eu não tenho muito critério pra dizer pra qualquer pessoa no que consiste ou deixa de consistir essa tal de dignidade. Mas uma coisa eu sei... dignidade não tem nada a ver com implorar, com colocar o amor pelo outro acima do amor por si própria. Dignidade não tem a ver com surtar, ou inventar fantasias como o resquício de alguma história ou pessoa maluca. Eu sei que dói. Mas vai passar. Não leia palavras... leia atitudes.

NÃO DEIXE DE OUVIR AS AÇÕES DE QUEM VOCÊ AMA. ACREDITE NAS ATITUDES, MUITO MAIS QUE NAS PALAVRAS.

(Queria dizer isso com algum tato. E volto a dizer que não sei muita coisa e que tudo que escrevo é sempre a partir de como percebo e é o mundo pra mim. Pode ser que seja tudo bobagem... mas...)
*

A minha fé, ultimamente, anda um pouco abalada. Não é culpa sua. Nem de Deus. É minha culpa.
Já cheguei a pensar que ter fé às vezes é complicado. É bem difícil acreditar que se a gente fizer a nossa parte o universo vai retribuir de alguma forma... Mas eu parei de pensar essa bobagem e me dei conta de muita coisa.

Se a gente só espera o pior (por medo de se decepcionar, se frustrar, sofrer, fazer besteira), a gente perde o melhor da experiência... a gente perde a leveza, a alegria, a gente perde a esperança... na vida.
Às vezes a gente tem tanto medo de se frustrar que escolhe simplesmente parar de acreditar... acreditar que amanhã pode ser SIM um dia muito, muito melhor do que hoje. Acreditar que você pode SIM fazer o melhor para si (e fazer).

Quem desiste já perdeu. Quem desiste da caminhada antes mesmo de percorrer seus caminhos já perdeu. Perdeu não só o resultado, perdeu a experiência, perdeu a vivência, perdeu o desafio, o sentimento, a energia... Quem desiste já perdeu. Perdeu porque teve medo de perder o que sequer chegou a conseguir.

Está na hora de a gente parar de esperar o pior... das pessoas, dos desafios, da vida. Está na hora de fazer a nossa parte com vontade, mas SOBRETUDO está na hora de ter esperança. Está na hora de colocar os nossos sentimentos em jogo, o nosso coração, a nossa alma, a nossa fé e dar tudo de melhor que a gente puder dar em busca do nosso sonho mesmo sem saber se conseguirá completar todo ou mesmo parte do percurso da trilha.

Pode ser que a gente consiga. Pode ser que a gente não consiga. Mas quem desiste, antes de sequer tentar, antes de se entregar, antes de acreditar em si mesmo, esse já perdeu...

É continuar na luta. É seguir fazendo a nossa parte e confiando... O caminho certo para alcançar o nosso sonho é sempre tentar, e tentar, de novo e mais uma vez. Eu consigo, eu sei que eu consigo.



sábado, 29 de setembro de 2012

Preciso ver MEU filme.


Sabe aquela sensação de quando um filme termina e tudo parece fazer sentido? Em duas ou três horas está tudo ali. Um início, meio e fim.
De uma história de amor, na maioria das vezes bonita, dessas baseadas em fatos reais, sobre alguém que comeu o pão que o diabo amassou, mas conseguiu realizar seu sonho ou do drama de um amor no meio de uma guerra.

Anos de vida, anos de sonhos, anos do terror terminam com uma música bonita e umas letrinhas brancas num fundo preto, que te deixam ali, pensando sobre as cenas que acabou de ver, os pensamentos que acabou de ter, as emoções que acabou de sentir.

E tudo faz sentido.

Alguém, por favor, contrata um editor para a minha vida (rs). Alguém que faça caber em duas ou três horas a minha história de amor, os meus sonhos e os meus dramas. Quem sabe eu consiga rir dos meus erros, me compadecer dos problemas que eu tive e, principalmente, inspirar-me com a força que eu tenho (ou acho que tenho).

Porque, se depois de duas horas achamos que podemos chegar perto de compreender o que é ter sido um judeu em uma Alemanha nazista, uma boa montagem da vida de uma mulher tão "normalzinha" como eu faria (quem sabe?) com que eu finalmente me compreendesse.

Quem sabe.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Trem da Vida.


Há algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura extremamente interessante, quando bem interpretada.
Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.
Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos e estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade. Em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível... Mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.
Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.
Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristezas. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.
Curioso é constatar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o trajeto, atravessemos com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles... Só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar.
Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas... Porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.
O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.
Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades... Acredito que sim. Separar-me de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo, dolorido. Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza, será muito triste, mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram... E o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.
Amigos, façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranquila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.

(Silvana Duboc)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Pálpebras de Neblina


“Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido frequente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/ que era sofrer ?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia Tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! Como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi. Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo mal pintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja.
E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo. Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos. Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?”

(in: Pequenas Epifanias)
Caio F. Abreu

terça-feira, 24 de abril de 2012

Rosa - uma flor de menina.



Certo dia eu ouvi que éramos todos iguais (aliás, escuto isso todos os dias). No semáforo, voltando do trabalho, hoje senti uma vontade de chorar feito criança. Rosa -- tinha nome de flor e apenas seis anos -- me pediu uns trocados pra 'comer sorvete'. Perguntei se ela estava na escola, ela sorriu e disse que gostava de brincar de pular corda. Me chamou de tia, eu sorri, ela sorriu de volta. Roupa rasgada, não tinha sapato, não tinha dinheiro, mas tinha um sorriso do tamanho do mundo. Sorria de linda que era. Um sorriso que nunca vi na vida, com um brilho bonito no olhar.
Me senti vazia, medíocre, egoísta. Não merecedora dos presentes que a vida me oferece todos os dias e eu desprezo. Me senti inútil, composta só de superfície e nenhum conteúdo... Meu deus, o que a gente tem feito da vida (e pela vida!) todos os dias???

domingo, 22 de abril de 2012

Motivos.


Não me lembro o dia em que comecei a escrever notas sobre os “acontecimentos” da minha vida. Não me lembro ao certo o motivo. Mas é certo que essa prática me acompanha há algum tempo. Sei e sinto que muitas coisas que escrevo são apenas pedaços soltos, bagunçados, desconexos que me ajudam a pensar em minhas questões de vida e, também, a repensar meus conflitos mais inerentes, a analisar as experiências que compartilho, a lidar com minhas frustrações, minhas peculiaridades, meus egoísmos. Apenas gostaria de dizer que motivaram a “abertura” desse blog alguns sentimentos de desorientação e de descoberta. Crises vividas e imediatamente esquecidas, que garantem a mim mesma o direito de viver sem me desafiar por completo. Mas também sem me apagar por completo.
Alguns trechos publicados aqui serão meus. Alguns ficcionais. Outros, citações literais de autores, mestres. Outros textos traduzirão momentos meus e de pessoas com quem dialoguei e dialogo no caminhar da vida. Outros, nem sei. Assim imagino os textos que apresentarei aqui. Em pedaços, meio soltos, meio desconexos, meio sem sentido e com sentido. Como todos(as) nós.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O meu favorito do Vinícius...

"Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. [...] E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. [...] e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. [...] E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

[...] E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor."


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Boa noite!!