terça-feira, 24 de abril de 2012

Rosa - uma flor de menina.



Certo dia eu ouvi que éramos todos iguais (aliás, escuto isso todos os dias). No semáforo, voltando do trabalho, hoje senti uma vontade de chorar feito criança. Rosa -- tinha nome de flor e apenas seis anos -- me pediu uns trocados pra 'comer sorvete'. Perguntei se ela estava na escola, ela sorriu e disse que gostava de brincar de pular corda. Me chamou de tia, eu sorri, ela sorriu de volta. Roupa rasgada, não tinha sapato, não tinha dinheiro, mas tinha um sorriso do tamanho do mundo. Sorria de linda que era. Um sorriso que nunca vi na vida, com um brilho bonito no olhar.
Me senti vazia, medíocre, egoísta. Não merecedora dos presentes que a vida me oferece todos os dias e eu desprezo. Me senti inútil, composta só de superfície e nenhum conteúdo... Meu deus, o que a gente tem feito da vida (e pela vida!) todos os dias???

domingo, 22 de abril de 2012

Motivos.


Não me lembro o dia em que comecei a escrever notas sobre os “acontecimentos” da minha vida. Não me lembro ao certo o motivo. Mas é certo que essa prática me acompanha há algum tempo. Sei e sinto que muitas coisas que escrevo são apenas pedaços soltos, bagunçados, desconexos que me ajudam a pensar em minhas questões de vida e, também, a repensar meus conflitos mais inerentes, a analisar as experiências que compartilho, a lidar com minhas frustrações, minhas peculiaridades, meus egoísmos. Apenas gostaria de dizer que motivaram a “abertura” desse blog alguns sentimentos de desorientação e de descoberta. Crises vividas e imediatamente esquecidas, que garantem a mim mesma o direito de viver sem me desafiar por completo. Mas também sem me apagar por completo.
Alguns trechos publicados aqui serão meus. Alguns ficcionais. Outros, citações literais de autores, mestres. Outros textos traduzirão momentos meus e de pessoas com quem dialoguei e dialogo no caminhar da vida. Outros, nem sei. Assim imagino os textos que apresentarei aqui. Em pedaços, meio soltos, meio desconexos, meio sem sentido e com sentido. Como todos(as) nós.